Expansão da rua
Características para apropriações de espaços de fruição não convencionais
Palavras-chave:
Apropriações do espaço público, Vida pública, VitalidadeResumo
Objetivo - Mapear e analisar casos de apropriação espontânea da população em espaços não-convencionais, buscando identificar padrões comuns.
Metodologia - Diante da ausência de pesquisas sistematizadas sobre este tipo de espaço, este trabalho realizou uma busca qualitativa e exploratória em relatos, notícias e registros publicados em sites de bairro, jornais locais e redes sociais; e trabalho de campo, com visitas para observação e registro fotográfico.
Originalidade/relevância – O estudo dá procedência ao trabalho desenvolvido por Queiroga (2012), que identifica “parquealidades” e “pracialidades” para além dos espaços originalmente designados para este fim, bem como amplia a caracterização de padrões propostos por Macedo, Imbrunito e Cavaletti (2019) no uso do lote para fins de fruição.
Resultados - Os resultados da análise revelam dois padrões iniciais significativos: uso do lote e a tipologia arquitetônica. Do ponto de vista do uso, verifica-se uma baixíssima incidência de apropriações em lotes exclusivamente residenciais; e predominância em áreas de uso comercial, misto e cultural, confirmando o já apontado por Jacobs (2011) sobre a necessidade de usos principais combinados, levando a presença de fluxos contínuos de pessoas. Em relação à tipologia do envoltório arquitetônico, confirma-se a necessidade de abertura e permeabilidade do lote, e quatro se destacam como cenários recorrentes: vãos livres no pavimento térreo; praças internas, átrios e pátios com abertura para a rua; escadarias no pavimento térreo, e corredores cobertos ou descobertos; contudo o último é quase sempre associado aos usos predominantemente comercial e misto.
Contribuições teóricas/metodológicas - Pesquisas futuras são necessárias para identificar e quantificar atributos específicos do ambiente construído capazes de incentivar a real ocupação e apropriação dos espaços, para então fomentar urbanidade e melhorar a qualidade de vida da população urbana.
Contribuições sociais e ambientais - A pesquisa demonstra que a vida pública se reinventa e se modifica ao longo do tempo, e o espaço da vida pública não está morto, apenas deslocado para outros espaços. Identificar esses espaços permite reconhecer estruturas espaciais pré-existentes na cidade que já demonstram potencial de abrigar a vida coletiva, principalmente em cenários de vulnerabilidade social.
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