Urbanização e vulnerabilidade a inundações na bacia do Rio dos Sinos
diretrizes de infraestrutura verde-azul para a resiliência urbana em São Leopoldo (RS)
Palavras-chave:
Resiliência urbana, Infraestrutura verde e azul, Inundações urbanas, Planejamento territorial, Bacia do Rio dos SinosResumo
Objetivo – Analisar a relação entre a expansão urbana e a ocorrência de inundações no município de São Leopoldo (RS), inserido na bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, identificando áreas de vulnerabilidade territorial e discutindo estratégias de adaptação baseadas em Infraestruturas Verdes e Azuis e Soluções Baseadas na Natureza.
Metodologia – A pesquisa combina revisão bibliográfica sobre resiliência urbana, gestão de recursos hídricos e infraestrutura verde com análise espacial realizada por meio de cartografia digital e técnicas de geoprocessamento. Essa pesquisa está sendo financiada pela instituição de pesquisa FAPERGS. Foram utilizados dados geoespaciais da plataforma MapBiomas, imagens de satélite e modelagens em ambiente SIG para comparar a evolução do uso do solo, identificar ocupações em Áreas de Preservação Permanente e sobrepor manchas históricas de inundação à malha urbana atual.
Originalidade/Relevância – O estudo contribui para o debate sobre adaptação climática em cidades brasileiras ao integrar análise territorial detalhada com o conceito de infraestrutura verde e azul aplicado à escala municipal, evidenciando conflitos espaciais entre urbanização e dinâmica hidrológica.
Resultados – Os resultados indicam expansão significativa da mancha urbana nas últimas décadas, acompanhada pela redução de áreas vegetadas e pela ocupação progressiva de zonas suscetíveis a inundação, incluindo Áreas de Preservação Permanente.
Contribuições teóricas/metodológicas – O trabalho demonstra o potencial do uso integrado de geoprocessamento e cartografia digital como ferramentas de diagnóstico territorial voltadas ao planejamento urbano resiliente.
Contribuições sociais e ambientais – A pesquisa propõe diretrizes de planejamento urbano baseadas em parques lineares, bacias de detenção e zonas de controle da ocupação, contribuindo para reduzir riscos hidrológicos e restaurar funções ecológicas da paisagem.
Referências
AHERN, Jack. From fail-safe to safe-to-fail: sustainability and resilience in the new urban world. Landscape and Urban Planning, v. 100, n. 4, p. 341–343, 2011.
BAZZAN, Thiago. Mapeamento das áreas com risco de inundação do Rio dos Sinos no município de São Leopoldo, RS. 2011. 135 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) — Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Acesso em: 7 mar. 2026.
BENEDICT, Mark A.; McMAHON, Edward T. Green infrastructure: linking landscapes and communities. Washington, DC: Island Press, 2006.
BRACKEN, Louise J.; CROKE, Jack. The concept of hydrological connectivity and its contribution to understanding runoff-dominated geomorphic systems. Hydrological Processes, v. 21, p. 1749–1763, 2007.
BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências (Estatuto da Cidade). Brasília, DF: Senado Federal, 2001. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70317/000070317.pdf. Acesso em: 7 mar. 2026.
______. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil – SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil – CONPDEC. Brasília, DF: Presidência da República, 2012. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm. Acesso em: 7 mar. 2026.
______. Lei nº 14.904, de 27 de junho de 2024. Estabelece diretrizes para a elaboração de planos de adaptação à mudança do clima; altera a Lei nº 12.114, de 9 de dezembro de 2009; e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14904.htm. Acesso em: 7 mar. 2026.
BROWDER, Greg et al. Integrating green and gray. World Bank, 2019.
BROWN, Anna; DAYAL, Ashvin; RAMASWAMI, Anu. From practice to theory: emerging lessons from Asia for building urban climate change resilience. Environment and Urbanization, v. 24, n. 2, p. 531–556, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0956247812456490. Acesso em: 7 mar. 2026.
CABRAL-RAMÍREZ, Mayleen; NIÑO-BARRERO, Yezid; DIBELLA, José. Lessons from the Implementation of the Sendai Framework for Disaster Risk Reduction from Latin America and the Caribbean. International Journal of Disaster Risk Science, v. 16, p. 72-83, 2025.
CAMPANELLA, T. J. Urban resilience and the recovery of New Orleans. Journal of the American Planning Association, v. 72, n. 2, p. 141–146, 2006.
CASTAÑEDA RODRIGUEZ, Lorena del Rocio et al. Urban Resilience and Fluvial Adaptation: Comparative Tactics of Green and Grey Infrastructure. Urban Science, v. 10, n. 1, p. 62, 2026.
COMITESINOS. Plano da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, 2013.
CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia fluvial. São Paulo: Edgard Blücher, 1981.
COHEN-SHACHAM, Emmanuelle et al. Nature-based solutions to address global societal challenges. IUCN: Gland, Switzerland, v. 97, n. 2016, p. 2036, 2016.
FLETCHER, Tim D. et al. SUDS, LID, BMPs, WSUD and more – The evolution and application of terminology surrounding urban drainage. Urban Water Journal, v. 12, n. 7, p. 525–542, 2015.
GOOGLE INC. Google Earth. online, 2003, 2025. Público. Disponível em: <https://earth.google.com/web>. Acesso em: 7 mar. 2026.
KABISCH, Nadja et al. (ed.). Nature-based solutions to climate change adaptation in urban areas: linkages between science, policy and practice. Cham: Springer, 2017. (Theory and Practice of Urban Sustainability Transitions). DOI: 10.1007/978-3-319-56091-5. Acesso em: 10 ago. 2025.
MACHADO, Luciene et al. O desafio para cidades resilientes no Brasil. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, v. 31, n. 59, p. 119-165, mar. 2025.
MARANDOLA JR., Eduardo; HOGAN, Daniel Joseph. Natural hazards: o estudo geográfico dos riscos e perigos naturais. Ambiente & Sociedade, v. 7, n. 2, 2004.
MEEROW, Sara et al. Defining urban resilience: a review. Landscape and Urban Planning, v. 147, p. 38–49, 2016.
PROJETO MAPBIOMAS – Coleção 10 - 1985 a 2024 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, acessado em 10 ago. 2025 através do link: https://brasil.mapbiomas.org/colecoes-mapbiomas/.
SHRESTHA, Shobha et al. Urban Growth and River Course Dynamics: Disconnected Floodplain and Urban Flood Risk in Manohara Watershed, Nepal. Water, v. 17, n. 16, p. 2391, 2025.
STRAHLER, Arthur N. Quantitative analysis of watershed geomorphology. Transactions of the American Geophysical Union, v. 38, n. 6, p. 913–920, 1957.
TUCCI, Carlos E. M. Inundações urbanas. Porto Alegre: ABRH, 2005.
UNISDR. Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015–2030. Geneva: United Nations Office for Disaster Risk Reduction, 2015. Disponível em: https://www.undrr.org/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030. Acesso em: 30 ago. 2025.
UNITED NATIONS. Sustainable Development Goal 11: Make cities and human settlements inclusive, safe, resilient and sustainable. 2015. Disponível em: https://sdgs.un.org/goals/goal11. Acesso em: 20 set. 2025.
______________. Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. Resolution A/RES/70/1. New York: United Nations, 2015.
VALE, L. J. The politics of resilient cities: whose resilience and whose city? Building Research & Information, v. 42, n. 2, p. 191–201, 2014.
WWAP (United Nations World Water Assessment Programme); UN-WATER. The United Nations World Water Development Report 2018: Nature-Based Solutions for Water. Paris: UNESCO, 2018. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000261424. Acesso em: 7 mar. 2026.
WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION. Extreme heat, cold, precipitation and fires mark the start of 2026. 10 fev. 2026. Disponível em: https://wmo.int/media/news/extreme-heat-cold-precipitation-and-fires-mark-start-of-2026. Acesso em: 5 mar. 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Scientific Journal ANAP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



