Mobilidade a Pé e Desigualdades Urbanas
Caminhabilidade no acesso às Unidades Básicas de Saúde Santa Luzia e Ipiranga em Juiz de Fora (MG)
Palavras-chave:
Mobilidade Ativa, Desigualdades Socioespaciais, Acesso à SaúdeResumo
Objetivo - Realizar uma análise comparativa das condições de caminhabilidade nas vias de acesso às Unidades Básicas de Saúde (UBS) Santa Luzia e Ipiranga, no município de Juiz de Fora (MG), considerando aspectos da infraestrutura urbana voltados à mobilidade a pé, bem como características demográficas e socioeconômicas, como densidade populacional e renda média.
Metodologia - O estudo baseia-se em revisão bibliográfica sobre caminhabilidade, mobilidade ativa e acesso à saúde, associada à análise espacial que se deu através do cruzamento de dados de caminhabilidade e indicadores socioeconômicos do Censo Demográfico de 2022.
Originalidade/Relevância - O estudo insere-se no eixo de pesquisas que articulam a caminhabilidade, desigualdades socioespaciais e o acesso à saúde pública no contexto urbano brasileiro, especialmente em cidades médias. Além de possuir uma relevância metodológica que integra a análise de mobilidade ativa e dados socioeconômicos para buscar compreender como a estrutura urbana influencia o acesso aos serviços públicos de saúde.
Resultados - Os resultados evidenciam desigualdades socioespaciais significativas entre os trajetos analisados. A UBS Santa Luzia apresenta condições mais favoráveis de caminhabilidade, sobretudo na Rua Torreões e Avenida Ibitiguaia. Em contraste, o acesso à UBS Ipiranga apresenta trechos críticos que dificultam o deslocamento a pé, especialmente na Avenida Darcy Vargas. Observa-se ainda que as vias principais encontram melhores condições de infraestrutura e renda, enquanto áreas mais afastadas das UBS e dos eixos de comércios e serviços, tendem a apresentar as piores condições urbanas e socioeconômicas.
Contribuições teóricas/metodológicas - O estudo contribui ao integrar indicadores de caminhabilidade, demografia e renda alicerçados na análise espacial.
Contribuições sociais e ambientais - Os resultados indicam a necessidade de políticas públicas voltadas à mobilidade ativa e à qualificação da infraestrutura urbana, sobretudo, nas áreas periféricas. De modo a promover maior equidade no acesso aos serviços sociais básicos, como é o caso do serviço público de saúde, conforme debruçado no presente estudo. Tais ações contribuem para ampliar o direito à cidade, reduzir desigualdades socioespaciais e incentivar formas de deslocamento mais sustentáveis e saudáveis.
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