Há lugar para o patrimônio cultural na cidade neoliberal?

O caso dos imóveis protegidos do centro histórico do Rio de Janeiro

Autores

  • Claudio Lima Carlos Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.17271/23178604134620256044

Palavras-chave:

Conservação Urbana, Urbanismo, Patrimônio Cultural

Resumo

ObjetivoAnalisar as contradições e dificuldades enfrentadas pela conservação urbana em cidades ocidentais considerando o atual contexto neoliberal, que se refletiu diretamente em suas governanças. A análise proposta visa estabelecer possibilidades e alternativas que viabilizem a conservação de tecidos tradicionais, destacando o caso da cidade do Rio de Janeiro e as alterações sofridas em sua gestão, a partir de 1993.

Metodologia – Em termos teórico-metodológicos adota-se, inicialmente, a análise histórico-crítica das transformações ocorridas nas cidades europeias, a partir da segunda metade do século XIX. Estas viabilizaram o alargamento da percepção do patrimônio cultural, que passou a contemplar, além de monumentos, conjuntos e tecidos urbanos tradicionais. Diante de drásticas transformações, operações de renovação urbana (Cidades liberal e pós-liberal) e destruições massivas causadas pelas duas guerras mundiais, a conservação da diversidade ambiental urbana passou a integrar, no século XX, o rol de preocupações de planejadores ocidentais com vistas à manutenção da identidade cultural das cidades, apesar de representarem uma oposição à lógica capitalista, especialmente, em seu atual estágio neoliberal. Amparam a análise proposta os pensamentos de teóricos ligados ao tema, conteúdos de cartas e recomendações internacionais, dentre outros. Na segunda etapa do trabalho, realiza-se o rebatimento do contexto europeu para a realidade da América Latina, especialmente, do Brasil, elegendo-se como estudo de caso o planejamento da cidade do Rio de Janeiro que, a partir dos anos 1980, passou a contar com seu primeiro instrumento específico de proteção urbana, após décadas de políticas baseadas em operações de renovação e modernização da cidade. Inicialmente denominado Área de Proteção Ambiental (APA), o instrumento, posteriormente, foi consagrado como Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC), pelo primeiro Plano Diretor Decenal (1992) da cidade, elaborado após a redemocratização do país. A APAC foi o primeiro instrumento urbanístico de proteção urbana da cidade e criou um contraponto à política urbana carioca caracterizada por legislações permissivas que induziam à renovação e verticalização ilimitadas. Nos anos 1980, ocorreu a proteção legal de tecidos urbanos tradicionais remanescentes da cidade, especialmente em seu centro histórico. No entanto, a partir de 1993, ocorreu a adoção de políticas neoliberais de gestão do solo da cidade, que foram materializadas no abandono do Plano Diretor Decenal (1992) em favor dos planos estratégicos, considerados mais “amigáveis” e “flexíveis” aos interesses do mercado. Desta forma, avaliam-se os impactos urbanos gerados - especialmente nas áreas protegidas do seu centro histórico - pelas mudanças ocorridas na governança da cidade. Finalmente, avaliam-se crítica e brevemente, as últimas iniciativas de conservação empreendidas pela prefeitura na zona portuária (Porto Maravilha) e no centro da cidade (Reviver Centro), propondo-se alternativas para uma melhor gestão do patrimônio urbano carioca que envolva a participação e monitoramento das populações residentes e usuárias, traduzindo seus interesses e anseios.

Originalidade/relevânciaObserva-se que grande parte da produção teórica acerca da conservação urbana nas cidades brasileiras - especialmente do Rio de Janeiro - dá pouca ou nenhuma ênfase às origens das contradições políticas ensejadas pela prática da conservação urbana, destacando apenas as consequências da adoção de sucessivas governanças neoliberais que priorizaram a mais valia e resultaram na crescente perda da integridade e autenticidade do acervo arquitetônico protegido. Sendo assim, busca-se apontar algumas das contradições e falhas da conservação do patrimônio urbano procurando identificar suas origens, conflitos e reais intenções do Estado - seu principal agente - traduzidos pelas políticas estabelecidas para este fim.

Resultados – Apontar caminhos para uma gestão mais democrática das áreas protegidas e melhorar os resultados até agora obtidos.

Contribuições teóricas/metodológicas – Detectar as principais falhas ocorridas a partir da proteção legal de bairros tradicionais cariocas, dentre elas e principalmente, a falta de participação e oitiva das populações diretamente afetadas, bem como a ausência de novas possibilidades de financiamento das obras de conservação que contemplem a diversidade social e econômica das populações das APAC da cidade. Atualmente, a legislação municipal só conta com a expectativa de direito à isenção de IPTU mediante a contrapartida da conservação dos bens protegidos.

Contribuições sociais e ambientais – Contribuir para a preservação da diversidade ambiental da cidade do Rio de Janeiro que enseja diversas camadas históricas relacionadas ao seu processo de ocupação urbana.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

10.10.2025

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

CARLOS, Claudio Lima. Há lugar para o patrimônio cultural na cidade neoliberal? O caso dos imóveis protegidos do centro histórico do Rio de Janeiro . Periódico Técnico e Científico Cidades Verdes, [S. l.], v. 13, n. 46, 2025. DOI: 10.17271/23178604134620256044. Disponível em: https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/cidades_verdes/article/view/6044. Acesso em: 3 jan. 2026.