Vila Cristiana
A paisagem como pauta emancipadora
DOI:
https://doi.org/10.17271/v7zq0313Palavras-chave:
Paisagem, políticas públicas, projeto da paisagemResumo
Objetivo – O artigo apresenta o conceito de paisagem a partir de uma pauta emancipadora. Partindo de uma prática laboratorial em que pesquisa e extensão se fundem na perspectiva da elucidação de políticas públicas em nível municipal.
Metodologia – Toma-se como método de pesquisa o reconhecimento e mapeamentos dos atributos da paisagem com a finalidade de valorar tais elementos e partir para a consulta junto a populações, que por séculos permanecem sem acesso a políticas públicas inclusivas, ressaltando seu potencial para fomentar uma convivência mais harmônica entre humanidade e natureza.
Originalidade/relevância - O racismo ambiental, termo cunhado por Benjamim Franklin Chavis, ativista negro na américa do norte, por volta 1982, é a forma mais concreta que aflora a partir das desigualdades sociais e impulsiona a exclusão socioespacial, de invisibilidades constantes e complexas da população negra em áreas de sub-habitação, assentamentos precários em grandes e pequenas cidades. A análise da paisagem sob essa perspectiva nos convida a refletir sobre o papel do ativismo ambiental e a necessidade de uma abordagem interseccional que considere as múltiplas dimensões das lutas sociais.
Resultados – Tem-se como resultado, a construção de um ideário de compreensão da aproximação dos entes cidade e floresta, com o intuito de dimensionar a relação entre as populações, que vivem em meio a remanescentes de cerrado, com os fragmentos da vegetação, predominante no sítio onde se desenvolveu a cidade de Bauru. Destacamos aspectos do problemas advindos da dificuldade do estabelecimento de uma política fundiária justa, tais como o acesso à terra como dimensão da noção de território, premissa que possibilitou uma investigação sobre as condições de acesso à moradia a partir da aproximação com assentamentos dos movimentos sociais, na cidade em estudo e, finalmente, apresentar a cidade como laboratório a partir de um Roteiro de Análise de sua paisagem com o propósito de dar contornos a um projeto da paisagem.
Contribuições teóricas/metodológicas - A interação entre técnicos e a comunidade a partir do conhecimento da paisagem propiciou a captação de necessidades e aspirações, desvelando um princípio participativo essencial para impulsionar uma agenda de justiça espacial na prática. Assim também, abordar a participação popular, condição ainda latente em um país cuja democracia é tão jovem e frágil, a partir do aprofundamento sobre conhecimento histórico e ambiental possibilitou que as diferentes feições da paisagem fossem identificadas e reconhecidas pela comunidade.
Contribuições sociais e ambientais – Por fim, devemos considerar que a análise da paisagem sob a perspectiva da consulta a populações menos assistidas nos convida a refletir sobre a necessidade de uma abordagem que considere a pauta das lutas sociais, como substantivo para a construção de uma cidade mais justa e socialmente equilibrada. A práxis revolucionária, ao integrar as questões de raça, classe e gênero nas discussões sobre paisagem, contribui para a construção de um futuro mais justo e sustentável, onde todas e todos têm voz e vez na configuração do ambiente que habitam.
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