O que tem no contêiner?
Mostra Pública de Resíduos Sólidos Urbanos em Francisco Beltrão, Paraná
DOI:
https://doi.org/10.17271/q5ea0252Palavras-chave:
Educação Ambiental, Resíduos Sólidos, Sensibilização, Sustentabilidade, Extensão UniversitáriaResumo
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo discutir a relevância da Educação Ambiental (EA) crítica no enfrentamento das problemáticas relacionadas à gestão dos resíduos sólidos urbanos, destacando as limitações de abordagens reducionistas e pragmáticas que ainda predominam nas práticas educativas.
Metodologia: O trabalho foi desenvolvido no âmbito do projeto de extensão “Educação Ambiental como processo educativo para o Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos”, vinculado à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Campus Dois Vizinhos. A ação foi aplicada durante a Semana do Meio Ambiente de Francisco Beltrão (PR), em 2025, por meio da atividade “O que tem no contêiner?”, que consistiu na abertura pública de um contêiner de resíduos orgânicos. A proposta visou evidenciar a realidade local da coleta, promover o diálogo entre diferentes atores sociais e sensibilizar a comunidade para as consequências do descarte inadequado.
Originalidade/Relevância: O estudo apresenta originalidade ao propor uma abordagem crítica e participativa da EA, superando o caráter meramente instrumental de ações voltadas à reciclagem e à arrecadação de resíduos. Fundamentado em autores como Layrargues (2002) e Gonzaga (2016), o trabalho evidencia a necessidade de uma Educação Ambiental que aborde dimensões políticas, sociais e culturais, conforme orientam a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/99), a Constituição Federal de 1988 e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017).
Resultados: A análise dos resíduos revelou que aproximadamente metade do conteúdo do contêiner era composta por materiais recicláveis misturados a resíduos orgânicos, o que inviabilizava sua reutilização e/ou reciclagem. Esse resultado evidenciou deficiências no processo de segregação e falta de sensibilização da população, além do descumprimento de metas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A ação demonstrou, portanto, a distância entre a legislação ambiental e a prática cotidiana da gestão de resíduos.
Contribuições Teóricas/Metodológicas: O projeto reafirma a importância da formação continuada de educadores, como indicado por Valentin (2014), e demonstra a potencialidade da extensão universitária em articular ensino, pesquisa e prática social, conforme defendem Sousa et al. (2017). Metodologicamente, a atividade exemplifica o uso da EA crítica como ferramenta investigativa e dialógica, capaz de integrar saberes acadêmicos e populares e de promover reflexão coletiva sobre sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.
Contribuições Sociais e Ambientais: A ação gerou impacto social ao envolver estudantes, professores, trabalhadores da coleta e representantes do poder público em um espaço de diálogo e reflexão sobre a gestão de resíduos. Do ponto de vista ambiental, contribuiu para a sensibilização da comunidade local quanto à importância da separação correta dos materiais e da redução de impactos como a contaminação do solo e da água. Assim, reforça-se a relevância da Educação Ambiental não formal e da extensão universitária como instrumentos de transformação social e promoção de práticas sustentáveis alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os ODS 4 (Educação de Qualidade), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima).
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