Arte e deslocamentos pós-extrativistas
habitar territórios feridos no Sul de Santa Catarina (Brasil)
Palavras-chave:
Arte contemporânea, Carvão, Pós-extrativismoResumo
Objetivo – Compreender como produções artísticas contemporâneas produzidas no e sobre o território da Região Carbonífera de Santa Catarina atuam na partilha do sensível como potência pós-extrativista.
Metodologia – A cartografia (Deleuze; Guattari, 1995) foi adotada como prática ética e estética de pesquisa (Passos; Kastrup; Escóssia, 2009), com o objetivo de valorizar relações, intensidades e interconexões outras entre referencial teórico e produções artísticas.
Originalidade/relevância – Incluir os estudos da arte no campo ambiental propicia novas possibilidades de percepção da realidade, de modo que possamos buscar novas formas de partilha do sensível (Rancière, 2009) que possibilitem o fortalecimento da(s) vida(s) e a coabitação nas ruínas do capitalismo (Tsing, 2022).
Resultados – Produções artísticas, em suas inúmeras possibilidades imaginativas, abordam o cotidiano e os regimes de sensibilidade que permeiam os modos de ver, dizer e sentir os territórios que habitamos (Bourriaud, 2011). Na Região Carbonífera, muitas produções perpassam pela mineração de carvão e seus impactos, propiciando discussões profundas quanto à lógica civilizatória colonial que sustenta a pilhagem de territórios, corpos e saberes (Acosta, 2016).
Contribuições teóricas/metodológicas – A partir da discussão da partilha do sensível (Rancière, 2009), propomos a noção de “partilha do sensível do carvão” para delimitar as práticas institucionais, econômicas e simbólicas que organizam os modos de habitar e de se relacionar com os territórios envolvidos pela mineração de carvão do Sul de Santa Catarina (Brasil). Os impactos do extrativismo são expressivos e duradouros (Menezes et al., 2024), sendo percebidos também pelos artistas da região, que, por intermédio de algumas de suas produções, propõem outros regimes de percepção capazes de causar dissensos no regime extrativista.
Contribuições sociais e ambientais – Entendemos que discussões interdisciplinares, como a realizada neste trabalho, são capazes de propiciar a superação gradual do regime extrativista (Acosta, 2016), não por obter resultados técnicos e/ou quantificáveis, mas por ampliar debates sobre os modos de percepção e habitação nos territórios que compartilhamos, a fim de imaginar outros futuros possíveis baseados na co-responsabilidade (Haraway, 2016).
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Scientific Journal ANAP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



