A paisagem ribeirinha amazônica como um espaço construído pela memória
Keywords:
Amazônia, Paisagem urbana, Comunidades ribeirinhasAbstract
Objetivo - Discutir a construção social dos espaços e das paisagens dentro do desenho urbano amazônico, com foco em compreender como o uso e a apropriação dos espaços são influenciados pelos vínculos que são criados entre a sociedade e a estrutura física das cidades, utilizando como estudo de caso a área urbanizada de Afuá (PA) para ilustrar essas dinâmicas.
Metodologia – A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, estruturada em duas frentes principais: A revisão bibliográfica e um estudo de caso. A revisão, cuja abordagem teórica se fundamenta no conceito de espacialização e em como aconteceu a ocupação das cidades amazônicas, usa como base teórica principal a obra de Milton Santos, sobre o espaço como condição de cidadania, complementada por outros autores que discutem a territorialização e urbanização regional; Os procedimentos técnicos para a pesquisa de campo em Afuá partiram da aplicação de checklists e registros fotográficos das condições paisagísticas, além da análise remota da mancha urbana e infraestrutura por meio do Google Earth.
Originalidade/relevância – O artigo faz uma crítica à universalização dos modelos e infraestruturas urbanas, enfatizando a aplicação de elementos exógenos na paisagem Amazônica e que ignoram as particularidades locais, em detrimento das singularidades ribeirinhas e vernaculares, onde a composição da paisagem é plenamente adaptada ao espaço alagado.
Resultados – O texto aponta um risco à paisagem urbana, quando identifica uma transição recente do uso da madeira para o concreto, motivada pela escassez e encarecimento do material, o que ameaça a identidade cultural e a relação harmoniosa com as águas. Aponta-se uma lacuna na compreensão da cidade amazônica, onde o planejamento urbano muitas vezes prioriza o consumidor em detrimento do cidadão, evidenciando a necessidade de ver a urbanização amazônica como um processo de resistência e ressignificação cultural.
Contribuições teóricas/metodológicas - O estudo reforça a ideia de que a organização do espaço em comunidades amazônicas não deve ser vista como precária, mas sim como uma estratégia urbanística funcional e detentora de intenção cultural, onde as "estivas" são apresentadas como um símbolo de resistência cultural amazônica.
Contribuições sociais e ambientais - O estudo evidencia que o direito à cidade é pleno quando se considera o saber ancestral e a adaptabilidade das comunidades nos processos de planejamento urbano. Ao tratar a paisagem como recurso para o exercício da cidadania de orientação para enfrentamentos climáticos como a elevação do nível das águas, o trabalho contribui para o debate sobre o direito à cidade e o desenvolvimento regional sustentável.
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