Inteligência artificial e seus custos ocultos

Limites ecológicos e colonialidade digital no Brasil

Autores

  • Ricardo Miranda dos Santos Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Sandra Medina Benini Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Allan Leon Casemiro da Silva Universidade Estadual Paulista (Unesp) image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.17271/1980082721320256238

Palavras-chave:

Inteligência artificial, Data centers, Justiça ambiental

Resumo

Objetivo – Analisar criticamente a inteligência artificial a partir de sua base material e ecológica, com foco na expansão dos data centers e em seus impactos ambientais, territoriais e políticos no Brasil, evidenciando o paradoxo entre as promessas de sustentabilidade da IA e a intensificação de seu metabolismo energético e hídrico.

Metodologia – O estudo adota abordagem qualitativa e crítico-analítica, fundamentada em revisão bibliográfica interdisciplinar, articulando contribuições da ecologia política, da economia ecológica, dos estudos críticos da tecnologia e do direito ambiental, além da análise de relatórios técnicos, documentos institucionais e matérias jornalísticas especializadas.

Originalidade/relevância – O artigo se insere no debate sobre os limites ecológicos da inteligência artificial ao evidenciar a colonialidade digital associada à territorialização dos data centers no Sul Global, preenchendo uma lacuna teórica ao articular infraestrutura digital, justiça ambiental e dependência tecnológica no contexto brasileiro.

Resultados – Os resultados indicam que a expansão da infraestrutura da IA no Brasil intensifica pressões sobre energia, água e território, reproduzindo assimetrias globais de poder e deslocando custos socioambientais para territórios periféricos, ao mesmo tempo em que os benefícios econômicos e decisórios permanecem concentrados em corporações transnacionais.

Contribuições teóricas/metodológicas – O artigo contribui ao reposicionar a inteligência artificial como infraestrutura ecológica e fenômeno político-territorial, oferecendo uma leitura crítica que supera abordagens tecnossolucionistas e incorpora o conceito de limites ecológicos como critério analítico central.

Contribuições sociais e ambientais – A pesquisa reforça a necessidade de integrar justiça ambiental e justiça digital nos processos de governança da IA, destacando a importância de políticas públicas que considerem impactos territoriais, participação social e critérios vinculantes de sustentabilidade na regulação de data centers.

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Publicado

01-11-2025

Como Citar

SANTOS, Ricardo Miranda dos; BENINI, Sandra Medina; SILVA, Allan Leon Casemiro da. Inteligência artificial e seus custos ocultos: Limites ecológicos e colonialidade digital no Brasil. Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, [S. l.], v. 21, n. 3, p. e2504, 2025. DOI: 10.17271/1980082721320256238. Disponível em: https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/6238. Acesso em: 23 fev. 2026.