Segregação socioespacial e vulnerabilidade climática nas periferias urbanas
DOI:
https://doi.org/10.17271/1980082721320256223Palavras-chave:
Segregação socioespacial, Vulnerabilidade climática, Cidades brasileirasResumo
Objetivo – Analisar criticamente a relação entre segregação socioespacial, políticas urbanas e vulnerabilidade climática nas cidades brasileiras, demonstrando que a exposição desigual aos riscos climáticos constitui uma expressão direta da produção capitalista do espaço urbano e das escolhas políticas que historicamente marginalizam determinados territórios e populações.
Metodologia – O estudo adota uma abordagem qualitativa de natureza teórico-crítica, caracterizando-se como um ensaio analítico fundamentado na revisão e interpretação de literatura especializada sobre produção do espaço urbano, segregação socioespacial, políticas públicas urbanas e justiça climática. A análise articula diferentes escalas — do urbano global ao contexto brasileiro — e mobiliza estudos empíricos e documentos institucionais como suporte interpretativo.
Originalidade/relevância – A originalidade do trabalho reside na articulação entre a crítica à produção desigual do espaço urbano e o debate contemporâneo sobre mudanças climáticas, explorando um gap teórico ainda pouco aprofundado nos estudos urbanos: a compreensão da vulnerabilidade climática como fenômeno socialmente produzido, territorialmente distribuído e politicamente condicionado, e não como resultado natural ou exclusivamente ambiental.
Resultados – Os resultados demonstram que os impactos das mudanças climáticas seguem a geografia da desigualdade urbana, incidindo de forma mais intensa sobre periferias caracterizadas por precariedade habitacional, déficit de infraestrutura e negligência histórica das políticas públicas. Ao mesmo tempo, demonstram que as políticas urbanas vigentes tendem a reforçar esse padrão ao concentrar investimentos e estratégias de adaptação climática em áreas centrais e valorizadas.
Contribuições teóricas/metodológicas – O artigo contribui teoricamente ao reforçar a centralidade da justiça climática como categoria analítica para a compreensão das desigualdades urbanas contemporâneas, tensionando abordagens tecnicistas e despolitizadas do planejamento urbano. Metodologicamente, oferece um quadro interpretativo que integra a análise da produção do espaço urbano à problemática climática, evidenciando a dimensão territorial da injustiça ambiental.
Contribuições sociais e ambientais – No campo social e ambiental, o estudo aponta a necessidade de reorientação das políticas urbanas a partir de princípios de equidade territorial, prevenção de riscos e participação social, destacando que a construção de cidades resilientes depende do enfrentamento estrutural das desigualdades socioespaciais que expõem as populações periféricas aos impactos mais severos da crise climática.
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