Segregação socioespacial e vulnerabilidade climática nas periferias urbanas

Autores

  • Jeane Aparecida Rombi de Godoy Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Sandra Medina Benini Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Allan Leon Casemiro da Silva Universidade Estadual Paulista (Unesp) image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.17271/1980082721320256223

Palavras-chave:

Segregação socioespacial, Vulnerabilidade climática, Cidades brasileiras

Resumo

Objetivo – Analisar criticamente a relação entre segregação socioespacial, políticas urbanas e vulnerabilidade climática nas cidades brasileiras, demonstrando que a exposição desigual aos riscos climáticos constitui uma expressão direta da produção capitalista do espaço urbano e das escolhas políticas que historicamente marginalizam determinados territórios e populações.

Metodologia – O estudo adota uma abordagem qualitativa de natureza teórico-crítica, caracterizando-se como um ensaio analítico fundamentado na revisão e interpretação de literatura especializada sobre produção do espaço urbano, segregação socioespacial, políticas públicas urbanas e justiça climática. A análise articula diferentes escalas — do urbano global ao contexto brasileiro — e mobiliza estudos empíricos e documentos institucionais como suporte interpretativo.

Originalidade/relevância – A originalidade do trabalho reside na articulação entre a crítica à produção desigual do espaço urbano e o debate contemporâneo sobre mudanças climáticas, explorando um gap teórico ainda pouco aprofundado nos estudos urbanos: a compreensão da vulnerabilidade climática como fenômeno socialmente produzido, territorialmente distribuído e politicamente condicionado, e não como resultado natural ou exclusivamente ambiental.

Resultados – Os resultados demonstram que os impactos das mudanças climáticas seguem a geografia da desigualdade urbana, incidindo de forma mais intensa sobre periferias caracterizadas por precariedade habitacional, déficit de infraestrutura e negligência histórica das políticas públicas. Ao mesmo tempo, demonstram que as políticas urbanas vigentes tendem a reforçar esse padrão ao concentrar investimentos e estratégias de adaptação climática em áreas centrais e valorizadas.

Contribuições teóricas/metodológicas – O artigo contribui teoricamente ao reforçar a centralidade da justiça climática como categoria analítica para a compreensão das desigualdades urbanas contemporâneas, tensionando abordagens tecnicistas e despolitizadas do planejamento urbano. Metodologicamente, oferece um quadro interpretativo que integra a análise da produção do espaço urbano à problemática climática, evidenciando a dimensão territorial da injustiça ambiental.

Contribuições sociais e ambientais – No campo social e ambiental, o estudo aponta a necessidade de reorientação das políticas urbanas a partir de princípios de equidade territorial, prevenção de riscos e participação social, destacando que a construção de cidades resilientes depende do enfrentamento estrutural das desigualdades socioespaciais que expõem as populações periféricas aos impactos mais severos da crise climática.

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Referências

Publicado

27-12-2025

Como Citar

GODOY, Jeane Aparecida Rombi de; BENINI, Sandra Medina; SILVA, Allan Leon Casemiro da. Segregação socioespacial e vulnerabilidade climática nas periferias urbanas. Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, [S. l.], v. 21, n. 3, p. e2508, 2025. DOI: 10.17271/1980082721320256223. Disponível em: https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/6223. Acesso em: 3 fev. 2026.