Relações entre configuração urbana e vitalidade das praças de Juiz de Fora (MG)
DOI:
https://doi.org/10.17271/23188472149120266363Palavras-chave:
Espaços Livres Públicos, Teoria da Sintaxe Espacial, Planejamento territorialResumo
Objetivo – investigar a relação entre a configuração da malha urbana e a vitalidade de 84 praças do município de Juiz de Fora (MG), considerando, além dos aspectos configuracionais, as características físicas desses espaços que podem contribuir ou dificultar sua apropriação e uso.
Metodologia – o estudo adota abordagem quantitativa, baseada na análise de medidas sintáticas da malha urbana (INT.R3, NAIN, NACH e INCH) e na mensuração da densidade de usuários por praça, buscando identificar correlações estatísticas entre configuração espacial e padrões de uso dos espaços públicos.
Originalidade/relevância – o estudo contribui para preencher lacunas da literatura ao investigar empiricamente a relação entre configuração espacial e vitalidade urbana no contexto brasileiro, ainda pouco explorado nos estudos fundamentados na Teoria da Sintaxe Espacial. Diferencia-se por analisar a totalidade das praças de uma cidade, superando abordagens baseadas em amostras reduzidas, e por empregar instrumentos estatísticos que permitem uma avaliação integrada entre morfologia urbana e padrões de uso dos espaços livres públicos.
Resultados - os resultados indicam que as praças de Juiz de Fora apresentam distribuição e padrões de vitalidade heterogêneos entre as Regiões de Planejamento, com maior concentração de praças e de vitalidade na região central da cidade. As análises estatísticas revelaram correlações positivas e significativas entre a densidade de usuários e as medidas sintáticas INT.R3, NACH e INCH, ainda que de magnitude fraca a moderada, indicando que a configuração urbana influencia a vitalidade, mas não atua como fator determinante. Destacam-se casos contrastantes, como a Praça Armando Toschi, que apresenta alta vitalidade em contexto de baixa integração, e a Praça Mundo Novo, que, apesar de alta integração espacial, registra baixos níveis de uso, evidenciando limites da configuração espacial como fator isolado.
Contribuições teóricas/metodológicas – o estudo reforça a contribuição da Teoria da Sintaxe Espacial para a compreensão da vitalidade urbana ao evidenciar seus alcances e limitações quando aplicada de forma empírica e estatisticamente testada. Metodologicamente, destaca-se a análise da totalidade das praças de uma cidade e a articulação entre medidas sintáticas e dados observacionais de uso, contribuindo para abordagens integradas na investigação dos espaços livres públicos.
Contribuições sociais e ambientais – os achados oferecem subsídios para o planejamento urbano ao indicar que a qualificação e o uso das praças dependem da articulação entre configuração espacial, atributos físicos e usos do entorno. Nesse sentido, o estudo pode orientar políticas públicas voltadas à melhoria, redistribuição e criação de praças, promovendo maior inclusão social, acesso aos equipamentos de lazer e valorização dos espaços públicos urbanos.
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