Urbanização, desigualdade e raça

segregação socioespacial e territórios da exclusão

Autores

  • Sandra Medina Benini Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Jeane Aparecida Rombi de Godoy Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml
  • Allan Leon Casemiro da Silva Universidade Estadual Paulista (Unesp) image/svg+xml
  • Angelo Palmisano Centro Universitário de Várzea Grande image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.17271/23188472138920256212

Palavras-chave:

Racismo estrutural, Segregação socioespacial, Urbanização brasileira

Resumo

Objetivo: Analisar a segregação socioespacial nas cidades brasileiras a partir da compreensão do racismo estrutural como elemento constitutivo da produção do espaço urbano, demonstrando como a urbanização se organizou historicamente de forma racializada, especialmente no período pós-abolição, e como essa lógica persiste na contemporaneidade.

Metodologia: O estudo adota uma abordagem qualitativa de caráter dedutivo, fundamentada em um ensaio teórico-crítico. A análise articula referenciais da teoria do racismo estrutural, da colonialidade do poder e dos estudos urbanos críticos, em diálogo com análise documental de políticas públicas e com dados secundários de fontes oficiais, como o IBGE, utilizados de forma interpretativa para demonstrar padrões de desigualdade racial no espaço urbano.

Originalidade/Relevância: O artigo contribui para o debate urbano ao reposicionar a raça como categoria analítica central na interpretação da segregação socioespacial, enfrentando o apagamento promovido pela ideologia da mestiçagem e pelas abordagens urbanísticas desracializadas. O estudo avança ao evidenciar a cidade não apenas como reflexo, mas como instrumento ativo de reprodução das desigualdades raciais, preenchendo um gap teórico ainda presente na literatura urbana brasileira.

Resultados: A análise demonstra que a segregação socioespacial no Brasil constitui uma expressão histórica e institucionalizada do racismo estrutural, manifestando-se na distribuição desigual de infraestrutura, serviços urbanos, mobilidade e proteção ambiental. Evidencia-se que práticas de planejamento urbano, políticas públicas e dinâmicas de valorização imobiliária operam de forma racializada, reforçando a marginalização territorial da população negra e periférica.

Contribuições teóricas/metodológicas: O estudo fortalece a articulação entre teoria urbana crítica, racismo estrutural e colonialidade, contribuindo para a compreensão da segregação como fenômeno sistêmico e adaptativo. Metodologicamente, reafirma a potência do ensaio teórico como instrumento analítico para desvelar mecanismos estruturais de exclusão frequentemente invisibilizados por abordagens tecnocráticas.

Contribuições sociais e ambientais: Ao explicitar as conexões entre racismo estrutural, segregação urbana e vulnerabilidade ambiental, o artigo subsidia o debate sobre justiça territorial e políticas urbanas antirracistas. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas orientadas pela reparação histórica, pela redistribuição territorial e pela redução das desigualdades socioambientais que afetam desproporcionalmente populações negras nas cidades brasileiras.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Publicado

02-12-2025

Como Citar

BENINI, Sandra Medina; GODOY, Jeane Aparecida Rombi de; SILVA, Allan Leon Casemiro da; PALMISANO, Angelo. Urbanização, desigualdade e raça: segregação socioespacial e territórios da exclusão. Revista Nacional de Gerenciamento de Cidades, [S. l.], v. 13, n. 89, 2025. DOI: 10.17271/23188472138920256212. Disponível em: https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/gerenciamento_de_cidades/article/view/6212. Acesso em: 23 jan. 2026.