Urbanização, desigualdade e raça
segregação socioespacial e territórios da exclusão
DOI:
https://doi.org/10.17271/23188472138920256212Palavras-chave:
Racismo estrutural, Segregação socioespacial, Urbanização brasileiraResumo
Objetivo: Analisar a segregação socioespacial nas cidades brasileiras a partir da compreensão do racismo estrutural como elemento constitutivo da produção do espaço urbano, demonstrando como a urbanização se organizou historicamente de forma racializada, especialmente no período pós-abolição, e como essa lógica persiste na contemporaneidade.
Metodologia: O estudo adota uma abordagem qualitativa de caráter dedutivo, fundamentada em um ensaio teórico-crítico. A análise articula referenciais da teoria do racismo estrutural, da colonialidade do poder e dos estudos urbanos críticos, em diálogo com análise documental de políticas públicas e com dados secundários de fontes oficiais, como o IBGE, utilizados de forma interpretativa para demonstrar padrões de desigualdade racial no espaço urbano.
Originalidade/Relevância: O artigo contribui para o debate urbano ao reposicionar a raça como categoria analítica central na interpretação da segregação socioespacial, enfrentando o apagamento promovido pela ideologia da mestiçagem e pelas abordagens urbanísticas desracializadas. O estudo avança ao evidenciar a cidade não apenas como reflexo, mas como instrumento ativo de reprodução das desigualdades raciais, preenchendo um gap teórico ainda presente na literatura urbana brasileira.
Resultados: A análise demonstra que a segregação socioespacial no Brasil constitui uma expressão histórica e institucionalizada do racismo estrutural, manifestando-se na distribuição desigual de infraestrutura, serviços urbanos, mobilidade e proteção ambiental. Evidencia-se que práticas de planejamento urbano, políticas públicas e dinâmicas de valorização imobiliária operam de forma racializada, reforçando a marginalização territorial da população negra e periférica.
Contribuições teóricas/metodológicas: O estudo fortalece a articulação entre teoria urbana crítica, racismo estrutural e colonialidade, contribuindo para a compreensão da segregação como fenômeno sistêmico e adaptativo. Metodologicamente, reafirma a potência do ensaio teórico como instrumento analítico para desvelar mecanismos estruturais de exclusão frequentemente invisibilizados por abordagens tecnocráticas.
Contribuições sociais e ambientais: Ao explicitar as conexões entre racismo estrutural, segregação urbana e vulnerabilidade ambiental, o artigo subsidia o debate sobre justiça territorial e políticas urbanas antirracistas. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas orientadas pela reparação histórica, pela redistribuição territorial e pela redução das desigualdades socioambientais que afetam desproporcionalmente populações negras nas cidades brasileiras.
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