Crise habitacional e desigualdade urbana na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.17271/23188472139020256258Palavras-chave:
Habitação, Desigualdade urbana, Política habitacional, Direito à cidade, América LatinaResumo
Objetivo – Analisar criticamente a crise habitacional na América Latina como expressão estrutural da desigualdade social e urbana, demonstrando como a habitação, em vez de promover inclusão, tem operado como dispositivo de exclusão e reprodução de hierarquias socioespaciais.
Metodologia – O estudo adota abordagem qualitativa, de caráter crítico-interpretativo, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental de organismos multilaterais, articuladas a uma estratégia comparativa de estudos de caso (Brasil, México e Colômbia), mobilizando categorias como colonialidade, direito à cidade, urbanização desigual, financeirização e interseccionalidade.
Originalidade/relevância – O artigo se insere no debate crítico ao deslocar a compreensão da crise habitacional de uma perspectiva técnico-quantitativa para uma leitura estrutural, evidenciando seu vínculo com a colonialidade, a financeirização e a reprodução das desigualdades urbanas. Contribui ao articular teoria social crítica e evidências empíricas comparadas na América Latina, destacando lacunas nas abordagens tradicionais das políticas habitacionais.
Resultados – A análise evidencia padrões comuns na região, como periferização, captura das políticas habitacionais por interesses mercantis e produção de soluções precárias, além de especificidades nacionais: no Brasil, a produção de novas periferias; no México, o abandono massivo de moradias; e na Colômbia, a precariedade associada ao deslocamento forçado. Conclui-se que a habitação social tem reproduzido desigualdades em vez de mitigá-las.
Contribuições teóricas/metodológicas – O estudo propõe a compreensão da habitação como categoria analítica central na produção das desigualdades urbanas, integrando diferentes matrizes teóricas (colonialidade, financeirização, urbanização desigual e interseccionalidade) e demonstrando a potência da análise comparativa para revelar padrões estruturais na América Latina.
Contribuições sociais e ambientais – O trabalho evidencia a necessidade de reorientação das políticas habitacionais para a promoção do direito à cidade, defendendo a regulação do solo urbano, a captura da valorização fundiária, a produção de moradias bem localizadas e a incorporação de perspectivas de equidade racial, de gênero e ambiental, visando reduzir a segregação socioespacial e melhorar as condições de habitabilidade.
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