Espaços comerciais no térreo de um corredor urbano
DOI:
https://doi.org/10.17271/2318847253120171581Abstract
Este texto procura explicar uma maneira de analisar as relações entre o espaço físico aberto (livre) em contraponto aos fechados, que permeiam os corredores urbanos. Restringe-se ao pavimento térreo, espaço onde se caminha pelo passeio público e por conta ou não de desníveis adentra-se ao lote e a edificação. Térreo compreendendo: o passeio público, as áreas livres do lote e as áreas cobertas. O corredor é um elemento da Morfologia Urbana, entendido como a porção do espaço de desenvolvimento linear de largura equivalente a soma da caixa da via, do espaço ocupado pelos construtos que a acompanham (canal, linha de energia, etc.), mais a faixa lindeira de terrenos e dos edifícios construídos da referida via. Como apresentado o trabalho se enquadra nos estudos de investigação sobre a forma da cidade, em desenvolvimento pelo Grupo de Pesquisa Arquitetura da Cidade, Universidade São Judas Tadeu, GPAC/USJT. Busca-se através da apreciação de casos se consolidar procedimentos de análise baseados nos corredores e subáreas, como uma sistemática de proveito para trabalhos profissionais e didáticos. Corredor como elemento urbano foi definido acima de maneira resumida. No contexto da cidade, observa-se que há vários tipos de corredores e eles se cruzam formando células: figuras poligonais não uniformes de diversas dimensões. A parte central destes núcleos ou miolo, delimitado pelos fundos das faixas de lotes que desenham a estrutura celular é o que se chama de subárea. Um aspecto fundamental é que corredores e subáreas podem ser encontrados em diversas escalas de aproximação, conforme a acuidade da análise pretendida. Quanto maior a superfície do tecido urbano selecionado para estudo, os corredores que o atravessam tangencialmente são definidores de célula maior, que poderá envolver diversas células de menor tamanho. Através da visualização pelo diagrama, que aparecerá no texto completo, estes conceitos ficarão mais claros. O corredor selecionado como objeto de investigação encontra-se na cidade de São Paulo. Percorre a área urbanizada do quadrante sul ao oeste da cidade, estendendo-se por um longo espigão. Cortando diversos bairros é subdividido em segmentos - avenidas – que lhes confere seus nomes. Dentre elas a Avenida Paulista, “a mais paulista das avenidas” como é cognominada, nomeia o corredor escolhido para o estudo apresentado neste trabalho. Como o espaço físico a Paulista oferece tipos de quadras, lotes, edificações, aberturas para os pedestres e articulação com o sistema de transportes, se colocando como um bom local para o estudo de caso sobre cheios e vazios em um corredor urbano. Sem contar as contínuas transformações físicas que marcaram sua história, em tempo relativamente curto, que estimulam a investigação. Para determinar os tipos de referência, elementos articuladores dos espaços ao nível do térreo e de livre acesso aos pedestres neste corredor se utilizam instrumentos da disciplina Morfologia Urbana, eficientes para a análise das relações entre espaços com vista a classificação de tipos. Como parte dos procedimentos de trabalho se consultou textos de diversos autores, para o aprendizado das transformações da forma que a avenida sofreu no tempo. Em particular, a evolução do ambiente residencial de alto padrão para a ocupação presente, onde a construção de espaços para abrigar atividades de comércio e serviço alterou de maneira decisiva sua configuração física. Os lotes grandes das casas burguesas favoreceram a construção de edificações em altura, umas poucas restaram. A largura da caixa da avenida suportou e ainda atende à demanda de fluxos, com a ajuda do transporte de massa pelo subsolo e de sucessivas adaptações para a passagem de ônibus e ciclo-faixas pelo térreo. Quanto aos edifícios, tem em sua maioria o térreo ocupado por comércio ou serviços, muitos com galerias de lojas. A galeria em alguns casos tem acesso pelas calçadas de vias laterais ou de paralelas a Paulista. É o cenário de um complexo corredor que motiva este trabalho pela determinação de tipos (ou padrões) da configuração urbana. Agora com atenção para os tipos de espaços para fins comercias e coma finalidade de estabelecer procedimentos de análise morfológica.
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