Pichação como manifesto da heterogenia urbana e do não-pertencimento ao patrimônio: o caso da Igreja da Pampulha
DOI:
https://doi.org/10.17271/2318847253520171624Abstract
Pretende-se relativizar o sentido de patrimônio arquitetônico a partir dos casos de pichação da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, ocorridos em março de 2016 e março de 2017. As situações a serem analisadas tornaram-se escândalo nacional e internacional e motivo de rechaço comum. Deste modo, em vista do contexto plural urbano, o objetivo principal deste trabalho é atentar o olhar para a desobediência civil e para as lógicas de poder vigentes, a fim de que casos como este se tornem oportunidades de diálogo e sejam tratadas de maneira mais ponderada. Para isto, utilizar-se-á de: um pequeno histórico sobre o movimento modernista brasileiro e o nascimento do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; a discussão sobre o sentido de existência de um programa de patrimônio; um marco teórico derivado de noções da antropologia e sociologia para enriquecer o debate acerca das relações de pertencimento ou afastamento entre pessoas e o espaço construído; por fim, uma investigação sobre a pichação como forma de manifesto e apropriação do espaço urbano. Desta maneira, percebe-se que há uma necessidade latente de integrar objetos arquitetônicos preservados em uma perspectiva de criação de memória coletiva, no sentido de permitir a abertura para experiência afetiva gerada através do usufruto do próprio corpo no espaço.
PALAVRAS-CHAVE: patrimônio arquitetônico, Igreja da Pampulha, pichação.
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